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“Protocolo de Milwaukee”, de Autoria do Médico Rodney Willoughby, de Atlanta (EUA) – O Protocolo Norte-Americano que Conseguiu a Primeira Cura de Raiva Humana no Mundo

No mundo só há três casos de cura da raiva humana e as três curas foram obtidas pelo “Protocolo de Milwaukee”. O caso do jovem brasileiro Marciano Menezes da Silva, morador do Sertão de Pernambucano, foi um deles!


O Médico Infectologista Rodney Willoughby, do Hospital Infantil de Wisconsin, nos Estados Unidos, foi o primeiro a conseguir a cura da raiva, usando o “Protocolo de Milwaukee”, em uma adolescente americana, no ano de 2004. Segundo o Dr. Willoughby, atualmente, a jovem frequenta uma Universidade e leva uma vida normal. Ela é o único caso do mundo de cura da doença e ausência de sequelas.

Outro caso ocorreu na Colômbia, mas o paciente, mesmo curado do vírus, morreu de complicações posteriores.

No Brasil, onze meses depois de ter contraído raiva humana ao ser mordido no tornozelo por um morcego enquanto dormia, Marciano Menezes da Silva, de 16 anos, recebeu alta do Hospital Universitário Osvaldo Cruz (HUOC), em Recife-PE. Morador de Floresta, no Sertão pernambucano, o jovem passou quatro meses na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e outros sete no isolamento do HUOC.

Este é o primeiro caso de cura da raiva humana no país. Marciano está com limitações motoras – não anda e tem dificuldades para falar. Em entrevista, ao deixar o HUOC, ele disse estar com saudade do irmão e do cachorro e que queria comer macarronada com carne de bode ao chegar em casa. O jovem foi levado até Floresta, que fica a 433 quilômetros da capital, de ambulância. Foi recebido pela família na fazenda Santa Paula, na zona rural da cidade. "Saber que ele está curado e vai voltar com vida para casa é uma bênção para a gente. Agora o coração está mais tranquilo", disse o pai de Marciano, João Gomes Menezes, de acordo com nota divulgada pelo HUOC.

Marciano deve retornar ao HUOC para avaliação e acompanhamento fisioterápico. Uma cirurgia no quadril, que poderá lhe dar mais mobilidade, está prevista, mas não tem data marcada.

O tratamento do jovem, que incluiu antivirais, analgésicos e sedativos, assim como indução ao coma, foi adaptado do “Protocolo de Milwaukee”, de autoria do Dr. Rodney Willoughby, o Médico Infectologista de Atlanta (EUA), responsável pela cura da adolescente americana (em 2004).


Especialistas se reuniram em Recife para Encontro Internacional sobre Raiva

Especialistas, na área de Infectologia/Virologia e no assunto “raiva”, se reuniram em Recife-Pernambuco, no dia 10 de fevereiro de 2009, para um “Encontro Internacional sobre Raiva”. Os Especialistas do Brasil e de outros países, que se encontraram na cidade de Recife discutiram novas regras para o atendimento aos pacientes com raiva humana. Médicos e estudantes se reuniram no auditório da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Pernambuco (UPE), que fica na área do HUOC. Eles debateram os avanços no tratamento de pacientes com raiva humana.

O sucesso no tratamento de Marciano Menezes da Silva, o jovem de Floresta, no Sertão do Estado, que foi mordido por um morcego em setembro do ano passado, foi decisivo para a escolha do local de realização do Evento.

O rapaz teve alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Setor de Doenças Infecto-Parasitárias.do HUOC e o Dr. Vicente Vaz, Médico do caso e Infectologista deste hospital, disse que a recuperação na enfermaria deveria deixar poucas sequelas em Marciano. “Ele é um paciente que passou meses na UTI, chegou lá com 15 anos e agora está com 16, e essa permanência longa traz uma série de problemas”, explicou Dr. Vicente.

Segundo o Infectologista brasileiro, o rapaz deve melhorar após sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. “Ele melhora a cada dia, não tem nenhuma sequela cognitiva, mas tem sequelas motoras, que vamos procurar minimizar”.

O Médico Marcelo Wada, responsável pelo Programa Nacional de Raiva do Ministério da Saúde (MS), disse que, a partir de agora, o MS deve mudar a maneira de atuar nos casos de pacientes atingidos pela doença. “Primeiro vamos fazer um diagnóstico, sendo positivo, vamos entrar com protocolo de tratamento (adaptado do Protocolo de Milwaukee) que, basicamente, é a indução do coma, seguida pelo uso de antivirais e de enzimas que vão precisar ser repostas”, explicou Dr. Marcelo. “Já temos o controle da raiva canina, o que tem aparecido são casos transmitidos por animais silvestres, como o morcego”.

Dr. Rodney Willoughby esteve presente ao Encontro e além de responder a perguntas dos colegas brasileiros, o Infectologista americano disse o que é preciso ser feito para que mais pessoas sejam curadas. “Primeiro temos que aprender com cada caso que tratamos, como aprendemos com o caso de cura brasileiro, depois teremos recursos da Universidade do Texas para praticar novos tipos de tratamento”, afirmou Dr. Willoughby.


Experiência pernambucana vai criar protocolo nacional e mudar documento americano

O primeiro caso de cura de um paciente de raiva humana no Brasil, além de servir para a elaboração do primeiro protocolo nacional de combate à raiva humana, vai alterar o “Protocolo norte-americano de Milwaukee”, utilizado internacionalmente. Para isso, estiveram presentes ao Encontro Internacional sobre Raiva, o Dr. Rodney Willoughby, Médico Infectologista americano idealizador do protocolo americano e que conseguiu a primeira cura de raiva humana no mundo, e ainda o Dr. Marcelo Wada, responsável pelo Programa Nacional de Raiva do Ministério da Saúde (MS). Também participam do Evento representantes da área de Saúde e Vigilância da Secretaria Estadual de Saúde, do MS, da Organização Panamericana de Saúde (OPAS) e de outros órgãos.

Dr. Willoughby, que é casado com uma brasileira de família pernambucana e que fala português, disse que o protocolo americano já está na segunda versão e que agora vai sofrer uma nova modificação com base nas experiências relatadas pelo mundo, entre elas a de Pernambuco e a de um menino de Goiás tratado em Brasília no ano passado, mas que não sobreviveu. Sobre o caso de Marciano, ele elogiou a atuação dos Médicos brasileiros e disse que o caso serviu para quebrar um tabu do protocolo, o qual defendia que o paciente iria a óbito se tomasse a vacina depois de estar infectado, procedimento que foi realizado com sucesso em Recife.

O Médico, de 49 anos, disse ainda que será iniciado nos Estados Unidos um estudo da raiva em animais que vai possibilitar maiores chances de aprendizado através do uso de cobaias. Atualmente, os estudos são feitos com cada paciente que surge. A primeira sobrevivente de raiva humana, infectada aos 15 anos de idade, hoje tem 19 anos e uma vida normal, apresentando sequelas motoras muito discretas. O mesmo não deve acontecer com Marciano que, segundo o Infectologista Vicente Vaz, não deve voltar a andar. O paciente ficou internado na enfermaria do HUOC, sem previsão da alta médica que ocorreu quase um ano depois. Na companhia dos pais, Marciano aguardou o resultado de exames que indicaram quando ele pôde voltar a se alimentar normalmente, com a retirada de uma sonda. A medida foi de grande importância para a recuperação do paciente, que perdeu 15 kg desde que foi hospitalizado. Os Médicos acreditavam que ele consiguiria voltar a falar sem problemas.

O Dr. Marcelo Wada acrescentou que, após redigido e revisado, o protocolo brasileiro será distribuído para as Secretarias de Saúde de todo o país. Além de se adequar à realidade brasileira, os procedimentos defendidos pelos médicos pernambucanos apresentam diferenças do protocolo americano quanto o uso de algumas drogas. Segundo o MS, no ano passado foram registrados três casos de raiva humana: um em Pernambuco, outro em Goiás, ambos transmitidos por morcegos, e o terceiro no Ceará, transmitido por um sagui.

FONTES: Jornal Diário de Pernambuco – http://www.diariodepernambuco.com.br/ (em 10 de fevereiro de 2009); Jornal O Globo-PE – http://pe360graus.globo.com/ (em 11 de fevereiro de 2009); Jornal O Estado de São Paulo – http://www.estadao.com.br/ (em 19 de setembro de 2009).

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Respostas a este tópico


O jovem Marciano Menezes da Silva contraiu raiva ao ser atacado por um morcego em Floresta, Sertão pernambucano, em outubro de 2008. Ele foi submetido a um tratamento criado nos Estados Unidos há quatro anos, o qual sofreu algumas pequenas adaptações. Em novembro de 2008, foi confirmada a cura do rapaz – a primeira no Brasil e a terceira no mundo, segundo o Ministério da Saúde.

A maioria dos pacientes com raiva humana MORRE até dez dias depois de contrair a doença! Em reportagem realizada pelo o Jornal Nacional da TV Globo, pudemos evidenciar as sequela nervosas, ainda graves, do rapaz quando deixava o HUOC em Recife-PE. Contudo, o fato dele estar VIVO nos faz mudar o conceito de que a raiva humana é INEXORAVELMENTE fatal p/ QUASE sempre fatal! O que representa um avanço enorme no tratamento curativo desta antropozoonose, antes impossível.

Nós Pesquisadores da Linha (Lyssavirus – Rhabdoviridae), no eixo Rio-São Paulo, que não pudemos estar presentes a este “Encontro Internacional sobre Raiva”, ainda estamos s/ fácil acesso ao protocolo norte-americano, o ”Protocolo de Milwaukee”, utilizado internacionalmente. Tampouco, à nova versão deste Protocolo, redigida e revisada, a fim de se adequar à nossa realidade.

Esperamos então que, o protocolo brasileiro seja distribuído às Secretarias de Saúde de todo o país. Pois que, estamos ávidos por obter fidedíginas informações sobre o novo tratamento da raiva humana, tanto quanto por transmiti-lo de forma fiel ao recente/ traçado!

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