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Greve dos servidores da Adapi coloca em risco segurança alimentar no Piauí

Gregório Júnior, presidente da Asdapi (Sindicato dos Servidores Efetivos da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí), denuncia que, além da defasagem salarial, os servidores do órgão são submetidos a trabalhar em ambientes inóspitos e que não atendem às normas básicas de segurança do trabalho.

Em algumas Unidades de Saúde Animal e Vegetal (USAVs) não há sequer cadeiras para os servidores sentarem. Muitas estão com os banheiros em condições precárias, fora outros problemas graves.

Registro feito por servidor da Adapi mostra banheiro em situação inadequada para uso, numa USAV (Unidade de Saúde Animal e Vegetal)

Segundo o sindicalista, a paralisação está respeitando o limite estabelecido pela legislação, contando com a adesão de 70% dos servidores concursados da agência, que abrange quatro categorias - fiscais agropecuários, técnicos de fiscalização agropecuária, auxiliares administrativos e auxiliares de apoio.

"Se você for visitar as agências da Adapi no interior, você vai ver todo tipo de sucateamento. Desde carros sem pneus, teto caindo na cabeça do servidor, banheiros que não têm como ser utilizados, falta de materiais de expediente, como papel, impressora, caneta, enfim, falta tudo. E, além dessas péssimas condições de trabalho, que há muito tempo a gente vem criticando sem observar nenhum avanço, ainda tem a questão do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos. Hoje, nosso vencimento básico é um dos mais baixos do país, quando comparado aos de agências de defesa agropecuária de outros estados. Um veterinário agrônomo fiscal agropecuário, por exemplo, que é um técnico de nível superior, ele entra na Adapi com um vencimento de R$ 2 mil, que é bem menor do que o vencimento de um policial militar aqui do estado. E a produtividade, de R$ 1.500, está congelada desde 2006, quando a Adapi foi criada. Isso pra um fiscal que atua com a parte de defesa animal e vegetal, e que lida com toda a parte de inspeção alimentar", protesta o presidente da Asdapi, acrescentando que os servidores da Adapi estão entre os que ganham menos no funcionalismo público do estado.

O servidor ressalta que os profissionais da Adapi exercem atividades essenciais à segurança alimentar da população, e cita a operação Carne Fraca, deflagrada em março deste ano, que revelou a existência de diversas irregularidades graves na produção de alimentos. "Com esse salário totalmente defasado, a gente trabalha e consegue garantir a segurança alimentar. Enquanto a operação Carne Fraca descobriu que o esquema de adulteração de alimentos contava com a participação de fiscais do Ministério da Agricultura, que ganham de R$ 15 mil a R$ 20 mil", afirmou Gregório, enfatizando que esse defasamento salarial pode, inclusive, deixar alguns servidores tentados a receber propinas.

Gregório lembra que no ano passado a categoria também realizou uma greve, mas chegou a um acordo com o Governo do Estado, aceitando um reajuste bem inferior ao que era pleiteado à época. "A gente há muito tempo vem lutando pelo nosso Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos, incluindo esta meta de produtividade que o governador quis implantar. A gente negociou todo o plano com o secretário de Administração, e aceitamos condições muito aquém do que queríamos, com a promessa de que em agosto de 2016 o governador enviasse o projeto de lei para a Assembleia Legislativa do Piauí. No entanto, até agora o Governo só vem enrolando a gente. Mesmo assim, durante todo esse tempo a gente tem tentado abrir um canal de negociação. Enviamos ofícios para o Palácio de Karnak, tentamos negociar com a diretoria da Adapi, com a Secretaria de Administração, e eles sempre inventam alguma coisa para não levar nossas reivindicações adiante", lamenta Gregório. 

O servidor afirma, ainda, que o governador Wellington Dias (PT) mente ao afirmar que o Governo aguarda as categorias para negociar. O sindicalista reitera que o acordo entre os servidores e a gestão petista foi firmado desde 2016, e o Governo é que não está cumprindo o que prometeu. "O governador vem inventando várias barreiras e a gente vem sempre aceitando as propostas. A última invenção dele foi criar essa produtividade variável, ou seja, de acordo com as metas que a gente atinge, quando o ideal é que a produtividade fosse fixa. Agora, sem desculpa nenhuma, ele diz que não vai enviar o projeto de lei pra Alepi, alegando que a gente não quis negociar com ele. Nós nos sentimos revoltados quando escutamos isso, porque a gente negociou até o último instante, até o último ponto. Não nos restava mais nada a não ser entrar em greve", conclui Gregório Júnior.

 

Por: Cícero Portela
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