Rede de Inovação Tecnológica para Defesa Agropecuária

IB é referência brasileira em pesquisas relacionadas à sanidade animal e vegetal

O Instituto Biológico (IB-APTA) comemora seus 90 anos de atividades em 6 de novembro de 2017, às 15h, durante a solenidade de abertura da 30ª Reunião Anual do Instituto Biológico (RAIB), que discutirá os desafios do agronegócio (saiba mais aqui). Referência brasileira em pesquisas e prestação de serviços relacionados à sanidade animal e vegetal, o IB atua em programas fundamentais, muitos deles coordenados pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), para promover a sanidade, importante para o trânsito internacional de produtos agropecuários. O Instituto ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo mantém laboratórios e unidades de pesquisa em São Paulo, Campinas, Bastos e Descalvado. Durante a comemoração do aniversário, será lançado o livro “Instituto Biológico – 90 anos inovando o presente”.

De acordo com Antonio Batista Filho, pesquisador e diretor-geral do IB, a sanidade é estratégica para o Estado e para o País. “Um dos maiores entraves para importação e exportação de produtos pelos países é a sanidade. O Instituto Biológico tem papel fundamental na realização de diagnósticos que mostram que os produtos paulistas e brasileiros estão livres de contaminação e podem ser exportados”, afirma.

Um dos exemplos são os trabalhos do Instituto para garantir a sanidade de planteis avícolas para as doenças influenza aviária e laringotraquíte, indispensáveis para o trânsito internacional, visando exportação de material genético. Em 2016, foram realizados 14.902 diagnósticos para influenza aviária e 12.890 para laringotraqueíte, pelo Laboratório de Patologia Avícola do IB, em Descalvado.

De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango e o segundo maior produtor. Em 2016, o País exportou 4,384 milhões de toneladas de carne de frango, gerando uma receita de US$ 6,848 bilhões. Os materiais genéticos de frango exportados pelo Brasil em 2016 produziram US$ 65,8 milhões de receita e São Paulo arrecadou US$ 58,1 milhões com essas negociações. No caso dos ovos férteis, a receita do País foi de US$ 41,7 milhões e a de São Paulo de US$18,5 milhões.

“A celebração dos 90 anos do IB é motivo de orgulho não apenas para os setores e profissionais envolvidos na agropecuária, mas para todos os cidadãos, que reconhecem nesta instituição um dos pilares da pesquisa científica e sua aplicação ao desenvolvimento da agricultura e da pecuária paulista e brasileira. Ao longo de sua história, o IB tem inovado e seus trabalhos impactam a economia e melhora a qualidade de vida dos produtores, uma recomendação do governador Geraldo Alckmin”, afirma Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

IB realiza 585 diagnósticos por dia com padrão internacional

Uma média de 585 diagnósticos por dia é realizada pelo IB com padrão internacional. Em 2016, o Instituto realizou o total de 200 mil diagnósticos na área de sanidade animal e vegetal. As amostras para os exames foram provenientes de 16 Estados brasileiros: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Paraíba, Rio de Janeiro, Rondônia, Tocantins, Espirito Santo, Ceará, Rio Grande do Sul, Maranhão e Bahia. “Esses diagnósticos constituem uma ferramenta básica para ações dos órgãos de defesa estadual e federal, com vistas a evitar a entrada ou circulação de pragas e doenças dentro do País”, explica Batista Filho.

De acordo com o diretor-geral do IB, todas as unidades laboratoriais do IB em São Paulo, Descavaldo e Bastos estão acreditadas pela norma ISO 17025, da Coordenadoria Geral de Acreditação (Cgcre), vinculada ao Inmetro, relacionada à qualidade.

“O governo do Estado de São Paulo investiu nos últimos anos em infraestrutura e modernização dos laboratórios. Isso permitiu a acreditação pela Cgcre e credenciamento pelo MAPA, certificando a qualidade de nossos serviços”, afirma.

Ao todo, as unidades laboratoriais do IB realizam 40 tipos de ensaios para pragas e doenças em animais e plantas. O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Animal e Vegetal do Instituto oferece, aproximadamente, 350 tipos de exames, realizando 162 mil ensaios, em média, por ano, solicitados, principalmente por órgãos oficiais, como as Defesas Agropecuárias e o MAPA.

Projetos de pesquisa

Atualmente, 138 projetos de pesquisa estão em andamento no Instituto Biológico, nas áreas de sanidade animal e vegetal, pragas urbanas e monitoramento de resíduos de agrotóxicos. O Instituto conta com 101 pesquisadores científicos e 82 servidores de apoio.

No hall de tecnologias, é possível destacar os trabalhos em controle biológico de cana-de-açúcar, soja, morango, banana, seringueira e plantas ornamentais. O IB é referência brasileira no assunto e em junho de 2017 lançou o Programa de Inovação e Transferência de Tecnologia em Controle Biológico (Probio), que reúne suas tecnologias e serviços.

A tecnologia IB em cana-de-açúcar para controle da cigarrinha com controle biológico, por exemplo, gerou uma economia de R$ 60 milhões para o setor sucroenergético, em dois anos. Além dos trabalhos de pesquisa em controle biológico, o Instituto presta assessoria técnica para instalação e manutenção de biofábricas para produção de patógenos. O IB já atendeu 46 biofábricas para produção de agentes de controle, localizadas em São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Rio de Janeiro, Tocantins, Mato Grosso, Paraná, Bahia e no exterior.

Outro exemplo de sucesso do Instituto são os trabalhos com pragas urbanas. O IB é a única instituição que identifica e propõe métodos para o controle dessas pragas em museus e edifícios históricos. Cerca de 30 museus e edificações históricas ou culturais brasileiras já contaram com o auxílio dos pesquisadores do IB na identificação e eliminação dessas pragas, entre eles o Museu Afro Brasil, Museu de Arte Sacra de São Paulo, Arquivo Público do Estado de São Paulo, Cinemateca Brasileira e igrejas históricas de Ouro Preto, Minas Gerais.

Os cupins de madeira e subterrâneos, ratos, baratas, brocas e traças, podem causar danos em livros, quadros, roupas e tapetes. Nos prédios, muitos deles históricos, os insetos causam problemas na fiação elétrica e estrutura, podendo até mesmo provocar incêndios.

IB bate recorde e produz kits capazes de diagnosticar doenças em 3,6 milhões de bovinos

O Instituto Biológico possui o único laboratório brasileiro com capacidade para produzir imunobiológicos para diagnósticos de brucelose e tuberculose em animais, principalmente bovinos. Em 2016, o IB bateu recorde de aprovação de doses produzidas no Laboratório de Produção de Imunobiológicos. Foram liberadas, aproximadamente, 3,6 milhões de kits capazes de diagnosticar doenças em 3,6 milhões de animais. Houve um aumento de 47% de doses produzidas entre 2015 e 2016, 1.9157.350 e 3.608.540 doses, respectivamente. A expectativa é aumentar em 10% a produção neste ano e chegar a marca de quatro milhões de doses.

O IB comercializou em 2016 kits com imunobiológicos para 24 Estados brasileiros, além do Distrito Federal. Com a produção de 2016 foi possível diagnosticar, aproximadamente, 3,6 milhões de animais no País. Os trabalhos do IB apoiam o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal, coordenado pelo MAPA.

Segundo Ricardo Spacagna Jordão, médico veterinário do IB, estudos realizados em 2013 demonstraram que o prejuízo total da brucelose no Brasil foi estimado em U$ 448 milhões que equivale, hoje, a cerca de R$ 1,005 bilhão. A cada 1% de variação na prevalência, estima-se o incremento no prejuízo de U$ 77,85 milhões ou R$ 174,70 milhões no custo da brucelose bovina no Brasil.

A tuberculose bovina é uma doença causada pela bactéria Mycobacterium bovis que afeta principalmente bovinos e bubalinos. Ocorre em diferentes partes do mundo, causando prejuízos anuais estimados em US$ 3 bilhões de dólares.

“Dados indicam a brucelose como a responsável pela diminuição de 25% na produção de leite e de carne e redução de 15% na produção de bezerros. Há ainda estimativas mostrando que a cada cinco vacas infectadas, uma aborta ou torna-se permanentemente estéril. Há estimativas de que animais contaminados percam de 10 a 25% da sua eficiência produtiva, além da perda do prestígio e da credibilidade da fazenda onde há casos positivos de Tuberculose”, afirma Jordão.

2 mil produtores familiares paulistas receberam treinamento do IB

A transferência de tecnologia e conhecimento é uma das prioridades do Instituto Biológico. Por isso, o Instituto mantém o Programa de Sanidade em Agricultura Familiar (Prosaf), que já levou conhecimento para mais de dois mil produtores familiares paulistas, desde 2009. A partir das demandas dos produtores e com ações de curto, médio e longo prazo, os pesquisadores do IB identificam as pragas e doenças que ocorrem nas propriedades e propõem técnicas de manejo para melhorar a produção. Resultado: aumento da renda, melhoria na qualidade dos produtos ofertados aos consumidores, redução no uso de produtos químicos e produção com sustentabilidade.

O Prosaf, coordenado pelo IB, é realizado em parceria com a APTA Regional, Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), prefeituras municipais, associação de produtores e cooperativas.

Projetos educacionais

Outra frente de trabalho do Instituto Biológico está em seus projetos de educação ambiental. O IB mantém o Planeta Inseto, único zoológico de insetos do Brasil, que já recebeu 370 mil visitantes, desde 2010. O objetivo é mostrar para a população a importância dos insetos para o cotidiano.

O Planeta Inseto é uma exposição permanente com 25 atrações, que tem como público-alvo crianças e adolescentes de três a 16 anos. Na mostra, os visitantes podem conhecer quatro espécies de abelhas sem ferrão, três espécies de baratas e baratas praticando corrida, lagartas tecendo fios de seda, formigas trabalhando em sistema organizado e o bicho pau, que se assemelha a gravetos. A exposição é gratuita e funciona de terça a domingo, das 9h às 16h.

Este ano, o IB inaugurou o primeiro Corredor Verde para Polinizadores do Brasil. A ideia é que o local ligue as chamadas “ilhas verdes” do bairro da Vila Mariana, na Capital Paulista, a fim de preservar os insetos polinizadores, como abelhas, borboletas e besouros. O corredor tem 450 m e foi inspirado na chamada “rodovia” das abelhas, na Noruega, e “estrada das borboletas”, dos Estados Unidos.

O Instituto também é famoso por manter no coração da cidade de São Paulo um cafezal urbano de 10 mil metros quadrados, com dois mil pés de café do tipo arábica, das variedades Catuaí e Mundo Novo, desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC). O cafezal faz parte do projeto Ciclos Econômicos Agrícolas, que mostra a importância econômica do ciclo do café, pau-brasil, seringueira e cana-de-açúcar. Cerca de dois mil estudantes, pesquisadores e estrangeiros já visitaram o local. Anualmente, o IB também abre suas portas para que a população tenha a oportunidade de colher café no pé.

Formação de recursos humanos

A formação de recursos humanos é outra atividade do Instituto Biológico, que é também uma instituição de ensino superior (IES), mantendo curso de mestrado desde 2007 e doutorado desde 2013, no programa de Pós-Graduação em Sanidade, Segurança Alimentar e Ambiental no Agronegócio (PG-IB), área interdisciplinar (meio ambiente e agrárias) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Aproximadamente 170 alunos já se formaram na Pós-Graduação do Instituto e outros 50 estão matriculados este ano. Os cursos de Mestrado e Doutorado da PG-IB tem conceito 4 pela CAPES. Cerca de 70% dos egressos da instituição atuam na iniciativa privada, órgãos públicos e continuam os estudos na mesma área de formação.

“Instituto Biológico – 90 anos inovando o presente”

Durante a cerimônia de comemoração de aniversário, será lançada a obra “Instituto Biológico – 90 anos inovando o presente” produzida pela equipe do Centro de Memória do Instituto Biológico, formada por Antonio Batista Filho, Márcia M. Rebouças, Harumi Hojo, Nayte Vitiello e Silvana D’Agostini.

O livro organiza a história do IB por décadas e tem o objetivo de mostrar como em cada momento e em cada época, os técnicos e pesquisadores do Instituto inovaram na pesquisa e em suas aplicações e projetação as soluções diante dos desafios colocados. “Este é um livro, sobretudo, sobre o presente e o futuro. Foi sempre com o espírito de ‘inovar o presente’, de embasar-se na tradição da pesquisa passada, de ousar, de mirar o futuro desconhecido que chegamos jovens aos 90 anos e seguimos em frente: o futuro começou hoje”, afirma Batista Filho.

História

Desde o início de século XX, o ideal de muitos aristocratas paulistas e dos barões de café era a criação de um órgão que cuidasse da sanidade do café, uma das maiores riquezas do Estado. Em 1924, apareceu uma praga terrível nos cafezais, chamada de broca. A praga perfurava as cerejas do café e desvalorizava o produto. Para solucionar o problema, foi criada uma comissão, formada por pesquisadores para estudar a nova praga visando averiguar os estragos e identificar os parasitas.

A comissão foi chefiada por Arthur Neiva, Ângelo da Costa Lima e Edmundo Navarro, apresentando várias propostas de combate da broca. Com o propósito de divulgar o amplo trabalho executado pela comissão de estudos junto aos produtores rurais, procurou-se atingir 1.300 fazendas com o total de 50 milhões de cafeeiro.

O sucesso dos resultados foi tamanho que Arthur Neiva demonstrou junto à Assembleia Legislativa a importância da criação de um órgão de pesquisa que beneficiasse os agricultores. Em 1927, era fundado então o Instituto Biológico e Defesa Agrícola, que em 1937, passou a ser chamado de Instituto Biológico.

SERVIÇO
90 anos do Instituto Biológico
Data: 6 de novembro de 2017
Horário: 15h
Local: Instituto Biológico – Auditório “Rocha Lima” (3º andar)
Endereço: Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, Vila Mariana – São Paulo (SP)

FONTE

SEGS

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